segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Está giro.

Estas foram as palavras dela quando viu que o resultado era o que esperava. Agradava-lhe o "aspecto" daquilo. Tinha cores, linhas que resultavam em formas engraçadas. Para ela. Para ele era um sofrimento. Aquilo só "era giro". Não dizia mais nada. As palavras, escolhidas por ela, eram estúpidas, pouco sonantes e, pior que tudo, tinham erros. "Eu sei escrever", dizia ela, convicta que o acordo ortográfico (para ela escrevia-se "hortográfico") já tinha entrado em vigor. E ele baixou a cabeça e deixou que aquilo fosse assim.
Depois vieram os comentários das outras pessoas. Todas se viravam para ele e diziam "Isto está mal escrito! Como podes deixar passar?". Ele respondia, tentando acreditar no que dizia, "É o novo acordo ortográfico, vamos ser os primeiros a fazer algo assim. É um marco". Mas nem assim ele, que não tinha nada a ver com aquilo, escapava às críticas.
No dia seguinte, ele resolveu-se. Foi falar com ela. Levou os Decretos-Lei todos, mais uma série de referências - portuguesas e brasileiras - para lhe provar que o acordo ainda estava em desacordo. Ela leu, leu e disse "Hmmm. És CAPAZ de ter razão. Queres alterar para a forma correcta?". Ele disse que sim, que alterava, que até nem era coisa para "levar muito tempo". Alterou. Ficou péssimo. Perdia-se a ideia, as linhas, as cores e o arranjo perdiam-se. Tentou alterar estas, a ver se fazia sentido. Começou a fazer. Foi apresentar-lhe. Ela, do alto do seu pedestal, lá disse "Não é a melhor coisa do mundo, mas lá terá de ser.
Ele terminou, fechou tudo, enviou.
Depois disto, nada foi feito. O "giro" ficou na gaveta.

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