A definição que ela encontrava para si era essa. A de uma pessoa com péssimo acordar. Aliás, este era tão mau, mas tão mau, que só se conseguia falar com ela - desde dizer "vou tomar banho" a "não encontro as chaves" - mais de uma hora depois do despertador tocar. Mas, como ela costumava dizer, nem tudo eram espinhos. Conseguia adormecer com música, televisão ligada ou, até, em conversa com outra pessoa. Escusado será dizer que o marido não gostava muito disso. Nem os filhos.
O problema todo, segundo o marido, era o trabalho que ela tinha. Todos os dias da semana ela tinha de analisar o comportamento no trabalho de mais de 20 pessoas. E isso não era nada fácil. Sobretudo porque ela uma psicóloga humana, no sentido cristão da palavra. Ela sabia que por trás daqueles números havia pessoas, com famílias e filhos. Imaginava, até, que algumas dessa pessoas seriam como ela, com mau acordar.
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