Sono, trabalho, sono, trabalho.
Acho que nestes últimos tempos não conheço mais palavras. O meu léxico insiste em apertar-me e ligar dois mundos diferentes, qual metáfora da gota de água que cai no rio.
O sono é cada vez mais curto: oriento-me com 6/7 horas por noite, sempre com sonhos sobre posicionamentos, copys e merdas afins. Já não me lembro de um sono que compense a outra palavra. Desgasto-me. Durante o dia com o T. À noite com o S.
Vida pessoal é uma conjugação que não tem apontamento na agenda. Não há filmes, peças de teatro, saídas para relaxar, concertos de uma banda tibetana ou merdas parecidas.
Depois dizem que não há inspiração, que os copys são maus ou que as palavras não combinam. Mas mesmo assim insistem em passar-me trabalho ao fim do dia, para ser feito e entregue ao cliente no dia seguinte, "porque se comprometeram com essa data". E assim ando. Ao desmando dos outros, para a frente e para trás, subindo e descendo escadas... e a tentar perceber se estou bem neste dling-dlong de um lado para outro ou se devia deixar cair o dling e dlong e fazer bang. Mandar tudo à urtigas, ir fazer outra coisa para desanuviar a cabeça e ver formas diferentes de ver o que vejo e escrevo e sinto e escrevo e mando para o caralho o que faço todos os dias.
Mas depois chega a alura fixe: em que penso que o dling e o dlong se divorciaram, em que penso que o bang aconteceu e o xaran volta à ordem do dia. Dia... que se torna pequeno para fazer um bom bang. Por isso o bang passa a dling e dlong.
Não sei porque estou a fazer metáforas com onomatopeias. Deve ser do cansaço. Ou da falta de saber o que é, na verdade, o cansaço.
E agora não vou fazer como no trabalho. Não vou reler para ver se está tudo no lugar certo, se a frase tem a métrica correcta ou se tem fio condutor. Vou deixar ficar como está. Quem ler que tente encontrar um fio condutor. Ou dois. Ou três. Ou dois fios condutores e um fio terra.
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