quinta-feira, junho 30, 2005

I’m thinking it’s a sign

São nove da noite quando começo a escrever. O dia foi porreiro. Não me chatearam a cabeça e as dores de peito que me costumam assolar pela manhã passaram cedo. Porque não me chateara. De certeza que foi por isso.
Agora que estou em casa, depois de jantar e ter arrumado a cozinha, sento-me frente à TV. Está a dar o Brasil com a Argentina. Os brasileiros estão a ganhar.
Eu estou para aqui sentado na cama, a escrever. Sobre o quê? Nem sei, para ser sincero. Vou escrevendo à medida que os dedos se movimentam sobre o portátil. Estou cheio de vontade de ir ao mar. Sim. Mas a mother nature não ajuda. Guardou as ondas para ela, ou levou-as para outro lado.
Anseio por sexta-feira. Porque vou estar com quem quero estar desde a semana passada. Sem elas os dias vão-se arrastando. São dias e não DIAS.
Sempre que estamos juntos as coisas correm melhor. (O Brasil acaba de marcar o 4º golo). Mesmo nos dias em que um ou outro chega a casa com carrancudo: ou porque o dia correu mal, ou por ser muito tarde e já não dar para irmos até à Foz andar um bocado a pé e tomar um café.
(A música lá vai tocando: “I want to take you far from the cynics in this town”)
Sei o que é sentir a falta de alguém. Estou a sabê-lo agora. É a primeira vez em 3 meses que estou tanto tempo com a casa tão vazia… por isso é que estou a escrever estas merdas sem nexo algum. Se ela cá estivesse, mesmo que ainda não em casa, as coisas seriam diferentes. Não teria jantado, o jantar seria mais elaborado e já tinha arrumado o quarto, que se encontra meio “ao abandono”. Amanha arrumo tudo.
Para a receber, depois de tantas horas de avião. Sexta queria sair mais cedo. Para ter mais tempo para mim, para ela, para nós.
Porra, porque estou a escrever esta merda? Acho que me vou calar. Nesta altura muita gente já deve ter parado de ler. “Não estamos para ler esta merda”, pensam. E desistem.
Outros ainda lêem, “para ver onde isto vai dar”. Há quem já tenha exclamado “Este gajo escreve tão mal! Não dá erros ortográficos, mas escreve mal. É tudo atabalhoado”.
Para estes tenho uma resposta: “Vão trabalhar, vão fazer outra coisa. Só está a ler isto quem quer, ou quem pensa que isto vai dar alguma coisa”. Mas não… não vai levar a nenhum sítio.
Acho até que vou parar por aqui. Tenho aqui o Lobo Antunes, que está com vontade de me distrair com o mesmo que aqui ponho: letras, ideias dispersas, perdidas, à procura de serem encontradas.
E termino das melhores formas: “Come, come, come to my sweet melody”, remisturado pelo Herbert.

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